Reedição do disco BBL-1112 pela RCA Victor em 1961, terceiro disco da Alaíde. Um dos LP's mais raros da música brasileira, traz colaborações de Baden Powell e capa com jóia desenhada por Burle Marx. Finalmente reeditado em disco de vinil está de volta às lojas em uma tiragem especial para colecionadores em 180 gramas com capa especial (réplica da original) do acervo da Sony Music do Brasil que recentemente sob a coordenação de Charles Gavin e Ed Motta reeditaram álbuns clássicos da música brasileira.

Uma das coisas legais deste álbum de Alaíde Costa é que ele apresenta na sua contra capa um texto escrito pela própria cantora descrevendo todos os detalhes da produção desta obra-prima. Reproduzimos o texto abaixo para você se deliciar com toda a história.

 

Prezado público,

Sempre desejei dirigir-me a você, meu público, para contar-lhe como são preparados os meus discos. Pois bem, aqui vai a história destes.

Num certo dia do mês de Setembro de 1960 conversava eu com o Sr. Paulo Rocco, Diretor Artístico da RCA Victor, falando-lhe da necessidade que tinha de ensaiar algumas músicas novas para os meus “shows” e da dificuldade que encontrava para fazê-lo por não dispor de uma sala para tal fim.  O Sr. Paulo, que é muito meu amigo, imediatamente autorizou-me a falar com o Sr. Alberto Soluri, responsável pelo setor de Gravação da RCA Victor, no Rio, para com ele combinar o modo pelo qual, pudesse eu realizar esses ensaios no Estúdio dessa gravadora. O Sr. Alberto muito gentil, prontamente atendeu-me e levou-me ao Sr. Barata (operador de gravação) a quem então consultei se poderia gravar os meus ensaios, uma vez que seriam feitos à noite, depois das 18:00 horas. O Sr. Barata grande camarada também, entrou na onda.

Faltava agora falar com os músicos. No dia seguinte fui ver os Irmãos Castro Neves (Oscar, pianista e violonista – Iko, contra-baixista e Leo, baterista) falei-lhes dos ensaios e eles prontamente acederam em cooperar comigo. Procurei em seguida Baden Powell (violonista e arranjador) que muito, afavelmente, disse-me que não somente iria aos ensaios acompanhado de seu violão, como também, faria os arranjos para as músicas que eu desejava ensaiar. Entrei em contato com outro músico, Paulo Tito (violonista e pianista) e fui também, bem sucedida.

Chegamos então ao primeiro ensaio. Oscar não pôde comparecer e Paulo Tito foi para o piano. Parecia que tudo havia sido ensaiado antecipadamente, tão bem correu. Esse admirável Baden, recebia a música, fazia o arranjo e em seguida os meninos executavam com tanta maestria e coração, que eu vibrava de emoção.

Num outro dia em que ia ter lugar novo ensaio, o Sr. Paulo Rocco resolveu ficar para assistí-lo. Lá pelo meio da “função” o Sr. Paulo chamou-me e disse: “Alaíde, vamos fazer “disto” um LP, e virando- se para o Sr. Barata (com quem você já está identificado), disse – amanhã me lembre para eu falar com Zaccarias (maestro e coordenador das gravações RCA Victor, no Brasil) sobre estas gravações”.

Dias depois encontrando o maestro Zaccarias, disse-me ele- ouvi alguns de seus ensaios gravados e estão muito bons, vamos terminar logo esse disco- Fiquei contentíssima e fui correndo dar a nova ao Baden, que se sentiu feliz, porque aquêles eram os primeiros arranjos seus a serem gravados.

Baden e eu, resolvemos então ampliar o conjunto e procuramos mais dois grandes músicos que não se fizeram de rogados e vieram dar o prestígio de sua arte e são eles - Nicolino Copia, esse maravilhoso “Copinha”, como o chamam os seus íntimos, muito nos ajudou, não somente com sua arte, como também, colocando sua valiosa experiência ao nosso dispor. O outro foi - “Macacheira” trombonista de grande valor, sempre ótimo, dando demonstração de sua arte maravilhosa que somente ele sabe expressar.

Sobre os arranjos feitos por Baden Powell para os músicos, e nos quais tomou parte também, com o seu magistral violão, sinceramente não encontro palavras para descrevê-los e bem demonstram o seu talento de arranjador. Os Irmãos Castro Neves (Oscar,  violonista, pianista e compositor de mérito – Iko, contra-baixista  de grande valor — e Leo, baterista excepcional), formaram um conjunto perfeito. Paulo Tito, outro grande elemento, ao piano.

As músicas foram selecionar cuidadosamente e após ouvido um grande número delas, foi escolhida a coletânea que forma o presente LP.

A capa foi escolhida pelo Sr. Ramalho Neto, supervisor do Departamento de Divulgação e Relações Púbicas da RCA Victor, no Brasil, e foi fotografada por Paulo Namorado que apesar de seus vinte e poucos anos de idade, já é um mestre na difícil arte de fotografar. A jóia que aparece na capa, foi gentilmente cedida para a fotografia, por Burle Marx Jóias e foi desenhada pelo famoso Burle Marx.

Ao finalizar dirijo-me a todas as pessoas que colaboraram para a realização de presente LP expressando-lhes o meu mais vivo reconhecimento e profunda gratidão.

Ao meu querido público, estou certa de que encontrará nas músicas deste disco a mensagem de amor e carinho que eu e todos os que dele participaram, lhe dedicamos.

Alaíde Costa.

 

Faixas:


Lado A
A1 Encontro Com A Saudade
A2 Samba De Nos Dois
A3 Se Foi Passado
A4 Gostar De Ninguem
A5 So De Mentirinha
A6 Ponto Final

Lado B
B1 Canção Do Amor Sem Fim
B2 No Mundo Da Lua
B3 Gosto Do Seu Ollhar
B4 Sem Você
B5 Segue A Vida Em Paz
B6 Lágrima

LP Alaíde Costa - Joia Moderna 1961 - Repress Sony Music

R$249,90
Esgotado
LP Alaíde Costa - Joia Moderna 1961 - Repress Sony Music R$249,90

Reedição do disco BBL-1112 pela RCA Victor em 1961, terceiro disco da Alaíde. Um dos LP's mais raros da música brasileira, traz colaborações de Baden Powell e capa com jóia desenhada por Burle Marx. Finalmente reeditado em disco de vinil está de volta às lojas em uma tiragem especial para colecionadores em 180 gramas com capa especial (réplica da original) do acervo da Sony Music do Brasil que recentemente sob a coordenação de Charles Gavin e Ed Motta reeditaram álbuns clássicos da música brasileira.

Uma das coisas legais deste álbum de Alaíde Costa é que ele apresenta na sua contra capa um texto escrito pela própria cantora descrevendo todos os detalhes da produção desta obra-prima. Reproduzimos o texto abaixo para você se deliciar com toda a história.

 

Prezado público,

Sempre desejei dirigir-me a você, meu público, para contar-lhe como são preparados os meus discos. Pois bem, aqui vai a história destes.

Num certo dia do mês de Setembro de 1960 conversava eu com o Sr. Paulo Rocco, Diretor Artístico da RCA Victor, falando-lhe da necessidade que tinha de ensaiar algumas músicas novas para os meus “shows” e da dificuldade que encontrava para fazê-lo por não dispor de uma sala para tal fim.  O Sr. Paulo, que é muito meu amigo, imediatamente autorizou-me a falar com o Sr. Alberto Soluri, responsável pelo setor de Gravação da RCA Victor, no Rio, para com ele combinar o modo pelo qual, pudesse eu realizar esses ensaios no Estúdio dessa gravadora. O Sr. Alberto muito gentil, prontamente atendeu-me e levou-me ao Sr. Barata (operador de gravação) a quem então consultei se poderia gravar os meus ensaios, uma vez que seriam feitos à noite, depois das 18:00 horas. O Sr. Barata grande camarada também, entrou na onda.

Faltava agora falar com os músicos. No dia seguinte fui ver os Irmãos Castro Neves (Oscar, pianista e violonista – Iko, contra-baixista e Leo, baterista) falei-lhes dos ensaios e eles prontamente acederam em cooperar comigo. Procurei em seguida Baden Powell (violonista e arranjador) que muito, afavelmente, disse-me que não somente iria aos ensaios acompanhado de seu violão, como também, faria os arranjos para as músicas que eu desejava ensaiar. Entrei em contato com outro músico, Paulo Tito (violonista e pianista) e fui também, bem sucedida.

Chegamos então ao primeiro ensaio. Oscar não pôde comparecer e Paulo Tito foi para o piano. Parecia que tudo havia sido ensaiado antecipadamente, tão bem correu. Esse admirável Baden, recebia a música, fazia o arranjo e em seguida os meninos executavam com tanta maestria e coração, que eu vibrava de emoção.

Num outro dia em que ia ter lugar novo ensaio, o Sr. Paulo Rocco resolveu ficar para assistí-lo. Lá pelo meio da “função” o Sr. Paulo chamou-me e disse: “Alaíde, vamos fazer “disto” um LP, e virando- se para o Sr. Barata (com quem você já está identificado), disse – amanhã me lembre para eu falar com Zaccarias (maestro e coordenador das gravações RCA Victor, no Brasil) sobre estas gravações”.

Dias depois encontrando o maestro Zaccarias, disse-me ele- ouvi alguns de seus ensaios gravados e estão muito bons, vamos terminar logo esse disco- Fiquei contentíssima e fui correndo dar a nova ao Baden, que se sentiu feliz, porque aquêles eram os primeiros arranjos seus a serem gravados.

Baden e eu, resolvemos então ampliar o conjunto e procuramos mais dois grandes músicos que não se fizeram de rogados e vieram dar o prestígio de sua arte e são eles - Nicolino Copia, esse maravilhoso “Copinha”, como o chamam os seus íntimos, muito nos ajudou, não somente com sua arte, como também, colocando sua valiosa experiência ao nosso dispor. O outro foi - “Macacheira” trombonista de grande valor, sempre ótimo, dando demonstração de sua arte maravilhosa que somente ele sabe expressar.

Sobre os arranjos feitos por Baden Powell para os músicos, e nos quais tomou parte também, com o seu magistral violão, sinceramente não encontro palavras para descrevê-los e bem demonstram o seu talento de arranjador. Os Irmãos Castro Neves (Oscar,  violonista, pianista e compositor de mérito – Iko, contra-baixista  de grande valor — e Leo, baterista excepcional), formaram um conjunto perfeito. Paulo Tito, outro grande elemento, ao piano.

As músicas foram selecionar cuidadosamente e após ouvido um grande número delas, foi escolhida a coletânea que forma o presente LP.

A capa foi escolhida pelo Sr. Ramalho Neto, supervisor do Departamento de Divulgação e Relações Púbicas da RCA Victor, no Brasil, e foi fotografada por Paulo Namorado que apesar de seus vinte e poucos anos de idade, já é um mestre na difícil arte de fotografar. A jóia que aparece na capa, foi gentilmente cedida para a fotografia, por Burle Marx Jóias e foi desenhada pelo famoso Burle Marx.

Ao finalizar dirijo-me a todas as pessoas que colaboraram para a realização de presente LP expressando-lhes o meu mais vivo reconhecimento e profunda gratidão.

Ao meu querido público, estou certa de que encontrará nas músicas deste disco a mensagem de amor e carinho que eu e todos os que dele participaram, lhe dedicamos.

Alaíde Costa.

 

Faixas:


Lado A
A1 Encontro Com A Saudade
A2 Samba De Nos Dois
A3 Se Foi Passado
A4 Gostar De Ninguem
A5 So De Mentirinha
A6 Ponto Final

Lado B
B1 Canção Do Amor Sem Fim
B2 No Mundo Da Lua
B3 Gosto Do Seu Ollhar
B4 Sem Você
B5 Segue A Vida Em Paz
B6 Lágrima